Uma dica para você que tem filhos, irmãos, sobrinhos, priminhos menores: o ser humano só consegue aprender por meio do exemplo, ou seja, dê o exemplo para as crianças! Se você quer que os pequenos leiam você deve mostrar para eles que isso é importante!
Nunca se esqueça de quão gratificante é demonstrar que a vida ainda vale a pena para aqueles que acabaram de ingressar nela. Ao abrir um livro você abre novas possibilidades de vida, novas portas de ação, de comunicação e de inserção na sociedade.
Para finalizar, leia um trecho da filósofa Hannah Arendt e, em seguida, um pequeno vídeo retirado do YouTube que pode servir para muita gente que ainda não entendeu que as coisas podem e devem acontecer por meio da leitura.
"A Educação é o ponto em que decidimos se amamos o mundo o bastante para assumirmos a responsabilidade por ele e, com tal gosto, salvá-lo da ruína que seria inevitável não fosse a renovação e a vinda dos novos e jovens. A educação é, também, onde decidimos se amamos nossas crianças o bastante para não expulsá-las de nosso mundo e abandoná-las a seus próprios recursos, e tampouco arrancar de suas mãos a oportunidade de empreender alguma coisa nova e imprevista para nós, preparando-as em vez disso com antecedência para a tarefa de renovar um mundo comum." (Hanna Arendt)
Clique aqui: A menina que odiava livros
Um beijo e um queijo a todos!
"Ver não é o mesmo que olhar, assim como ouvir não é o mesmo que escutar. Ver envolve apenas o esforço de abrir os olhos; olhar significa abrir a mente e usar o intelecto. Olhar uma pintura [ou um poema] é como partir para uma viagem." Robert Cumming
Digite aqui o que você precisa
sábado, 27 de abril de 2013
domingo, 24 de fevereiro de 2013
Memórias de um sargento de milícias
AVALIAÇÃO CONTÍNUA - 2º ANO
(FUVEST) Indique a
alternativa que se refere corretamente ao protagonista de Memórias de um Sargento de Milícias, de Manuel Antônio de Almeida:
a) Nele, como também em personagens menores, há o contínuo e divertido esforço de driblar o acaso das condições adversas e a avidez de gozar os intervalos da boa sorte.
b) Este herói de folhetim se dá a conhecer sobretudo nos diálogos, nos quais revela ao mesmo tempo a malícia aprendida nas ruas e o idealismo romântico que busca ocultar.
c) A personalidade assumida de sátiro é a máscara de seu fundo lírico, genuinamente puro, a ilustrar a tese da "bondade natural", adotada pelo autor.
d) Enquanto cínico, calcula friamente o carreirismo matrimonial; mas o sujeito moral sempre emerge, condenado o prõprio cinismo ao inferno da culpa, do remorso e da expiação.
e) Ele é uma espécie de barro vital, ainda amorfo, a que o prazer e o medo vão mostrando os caminhos a seguir, até sua transformação final em símbolo sublimado.
a) Nele, como também em personagens menores, há o contínuo e divertido esforço de driblar o acaso das condições adversas e a avidez de gozar os intervalos da boa sorte.
b) Este herói de folhetim se dá a conhecer sobretudo nos diálogos, nos quais revela ao mesmo tempo a malícia aprendida nas ruas e o idealismo romântico que busca ocultar.
c) A personalidade assumida de sátiro é a máscara de seu fundo lírico, genuinamente puro, a ilustrar a tese da "bondade natural", adotada pelo autor.
d) Enquanto cínico, calcula friamente o carreirismo matrimonial; mas o sujeito moral sempre emerge, condenado o prõprio cinismo ao inferno da culpa, do remorso e da expiação.
e) Ele é uma espécie de barro vital, ainda amorfo, a que o prazer e o medo vão mostrando os caminhos a seguir, até sua transformação final em símbolo sublimado.
(FUVEST) Sua história tem pouca coisa de notável. Fora Leonardo
algibebe¹ em Lisboa, sua pátria; aborrecera-se porém do negócio, e viera ao
Brasil. aqui chegando, não se sabe por proteção de quem, alcançou o emprego de
que o vemos empossado, o que exercia, como dissemos, desde tempos remotos. Mas
viera com ele no mesmo navio, não sei fazer o quê, uma certa Maria de
hortaliça, quitandeira das praças de Lisboa, saloia² rechonchuda e bonitona. O
Leonardo, fazendo-se-lhe justiça, não era nesse tempo de sua mocidade mal
apessoado, e sobretudo era maganão³. Ao sair do Tejo, estando a Maria encostada
à borda do navio, o Leonardo fingiu que passava distraído junto dela, e com o
ferrado sapatão assentou-lhe uma valente pisadela no pé direito. A Maria, como
se já esperasse por aquilo, sorriu-se como envergonhada do gracejo, e deu-lhe
também em ar de disfarce um tremando beliscão nas costas da mão esquerda. Era
isto uma declaração em forma, segundo os usos da terra: levaram o resto do dia
de namoro cerrado; ao anoitecer passou-se a mesma cena de pisadela e beliscão,
com a diferença d serem desta vez um pouco mais fortes; e no dia seguinte
estavam os dois amantes tão extremosos e familiares, que pareciam sê-lo de muitos
anos.(Manuel Antônio de
Almeida, Memórias de um sargento de milícias)
Glossário:
1algibebe: mascate, vendedor ambulante.
2 saloia: aldeã das imediações de Lisboa.
3maganão: brincalhão, jovial, divertido.
2. Neste excerto, o modo pelo qual é relatado o início do relacionamento entre Leonardo e Maria
a) manifesta os sentimentos antilusitanos do autor, que enfatiza a grosseria dos portugueses em oposição ao refinamento dos brasileiros.
b) revela os preconceitos sociais do autor, que retrata de maneira cômica as classes populares, mas de maneiras respeitosa a aristocracia e o clero.
c) reduz as relações amorosas a seus aspetos sexuais e fisiológicos, conforme os ditames do Naturalismo.
d) opõe-se ao tratamento idealizante e sentimental das relações amorosas, dominante do Romantismo.
e) evidencia a brutalidade das relações inter-raciais, própria do contexto colonial escravista.
Glossário:
1algibebe: mascate, vendedor ambulante.
2 saloia: aldeã das imediações de Lisboa.
3maganão: brincalhão, jovial, divertido.
2. Neste excerto, o modo pelo qual é relatado o início do relacionamento entre Leonardo e Maria
a) manifesta os sentimentos antilusitanos do autor, que enfatiza a grosseria dos portugueses em oposição ao refinamento dos brasileiros.
b) revela os preconceitos sociais do autor, que retrata de maneira cômica as classes populares, mas de maneiras respeitosa a aristocracia e o clero.
c) reduz as relações amorosas a seus aspetos sexuais e fisiológicos, conforme os ditames do Naturalismo.
d) opõe-se ao tratamento idealizante e sentimental das relações amorosas, dominante do Romantismo.
e) evidencia a brutalidade das relações inter-raciais, própria do contexto colonial escravista.
3. No excerto, o narrador
incorpora elementos da linguagem usada pela maioria das personagens da obra,
como se verifica em:
a) aborrecera-se porém do negócio.
b) do que o vemos empossado.
c) rechonchuda e bonitona.
d) envergonhada do gracejo.
e) amantes tão extremosos.
a) aborrecera-se porém do negócio.
b) do que o vemos empossado.
c) rechonchuda e bonitona.
d) envergonhada do gracejo.
e) amantes tão extremosos.
4. No excerto, as
personagens manifestam uma característica única que é a:
a) disposição permanentemente alegre e bem-humorada.
b) discrepância entre a condição social humilde e a complexidade psicológica.
c) busca da satisfação imediata dos desejos.
d) mistura das raças formadoras da identidade nacional brasileira.
e) oposição entre o físico harmonioso e o comportamento agressivo.
a) disposição permanentemente alegre e bem-humorada.
b) discrepância entre a condição social humilde e a complexidade psicológica.
c) busca da satisfação imediata dos desejos.
d) mistura das raças formadoras da identidade nacional brasileira.
e) oposição entre o físico harmonioso e o comportamento agressivo.
5. Assinale a alternativa
em que aparece fragmento que se refere ao protagonista de Memórias de um Sargento de Milícias.
a) "Fora Leonardo algibebe em Lisboa, sua pátria; aborrecera-se porém do negócio e viera ao Brasil. Aqui chegando, não se sabe por proteção de quem, alcançou o emprego de que o vemos empossado."
b) "Era o rei absoluto, o árbitro supremo de tudo que dizia respeito a esse ramo de administração: era o juiz que julgava e distribuía a pena."
c) "Quando passou de menino a rapaz, e chegou a saber barbear e sangrar sofrivelmente, foi obrigado a manter-se à sua custa."
d) "Era este um homem todo em proporções infinitesimais, baixinho, magrinho, de carinha estreita e chupada, excessivamente calvo, tinha pretensões de latinista."
e) "Digamos unicamente que durante todo este tempo o menino não desmentiu aquilo que anunciara desde que nasceu: atormentava a vizinhança."
a) "Fora Leonardo algibebe em Lisboa, sua pátria; aborrecera-se porém do negócio e viera ao Brasil. Aqui chegando, não se sabe por proteção de quem, alcançou o emprego de que o vemos empossado."
b) "Era o rei absoluto, o árbitro supremo de tudo que dizia respeito a esse ramo de administração: era o juiz que julgava e distribuía a pena."
c) "Quando passou de menino a rapaz, e chegou a saber barbear e sangrar sofrivelmente, foi obrigado a manter-se à sua custa."
d) "Era este um homem todo em proporções infinitesimais, baixinho, magrinho, de carinha estreita e chupada, excessivamente calvo, tinha pretensões de latinista."
e) "Digamos unicamente que durante todo este tempo o menino não desmentiu aquilo que anunciara desde que nasceu: atormentava a vizinhança."
domingo, 3 de fevereiro de 2013
O PEQUENO PRÍNCIPE
Aluninhos do 1º ano.
Um de nossas leituras no 1º bimestre de 2013 é a do livro "O pequeno príncipe", de Antoine de Saint-Exupéry. Abaixo segue o link em pdf:
http://www.biblioteca.radiobomespirito.com/o_pequeno_principe.pdf
O outro livro que leremos, este em sala de aula, é "Auto da barca do inferno", de Gil Vicente.
http://stat.correioweb.com.br/arquivos/educacao/arquivos/GilVicente-AutodaBarcadoInferno0.pdf
Boa leitura!
Um de nossas leituras no 1º bimestre de 2013 é a do livro "O pequeno príncipe", de Antoine de Saint-Exupéry. Abaixo segue o link em pdf:
http://www.biblioteca.radiobomespirito.com/o_pequeno_principe.pdf
O outro livro que leremos, este em sala de aula, é "Auto da barca do inferno", de Gil Vicente.
http://stat.correioweb.com.br/arquivos/educacao/arquivos/GilVicente-AutodaBarcadoInferno0.pdf
Boa leitura!
Livros Obrigatórios FUVEST e UNICAMP 2013
Queridos alunos, como vocês já devem saber a lista de livros obrigatórios para os vestibulares FUVEST e UNICAMP deste ano permanece a mesma.
A saber:
"Viagens na minha terra" - Almeida Garrett
http://www.cursinhodoxi.com.br/viagens_na_minha_terra.pdf
"Til" - José de Alencar
http://www3.universia.com.br/conteudo/livros/til.pdf
"Memórias de um sargento de milícias" - Manuel Antônio de Almeida
http://www.fosjc.unesp.br/extensao/prevest/paraibuna/HUMANAS_files/Memo%CC%81rias%20de%20um%20sargento%20de%20mili%CC%81cias,%20de%20Manuel%20Antonio%20de%20Almeida.pdf
"Memórias de um sargento de milícias" em HQ
http://www.ebah.com.br/content/ABAAABihgAI/hq-memorias-sargento-milicias-manuel-antonio-almeida
"Memórias póstumas de Brás Cubas" - Machado de Assis
http://www.fuvest.br/download/livros/brascubas.pdf
"Memórias póstumas de Brás Cubas" em HQ
http://www.slideshare.net/jeronimojaf/hq-memorias-postumas-de-brs-cubas-machado-de-assis-14660812
"A cidade e as serras" - Eça de Queirós
http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bv000081.pdf
"O cortiço" - Aluísio Azevedo
http://objdigital.bn.br/Acervo_Digital/livros_eletronicos/cortico.pdf
"O cortiço" em HQ
http://www.ebah.com.br/content/ABAAABglsAC/hq-cortico-aluisio-azevedo
"Vidas Secas" - Graciliano Ramos
http://www.fosjc.unesp.br/extensao/prevest/paraibuna/HUMANAS_files/vidas_secas.pdf
"Capitães da Areia" - Jorge Amado (trecho)
http://www.companhiadasletras.com.br/trechos/80129.pdf
"Sentimento do mundo" - Carlos Drummond de Andrade (trecho)
http://www.companhiadasletras.com.br/trechos/13273.pdf
Toda a contribuição com links de filmes e análises que possam servir aos colegas serão bem-vindas, coloquem-nas nos comentários e boa leitura!
2013 é o ano de vocês!!!
Professor Valmir Luis
A saber:
"Viagens na minha terra" - Almeida Garrett
http://www.cursinhodoxi.com.br/viagens_na_minha_terra.pdf
"Til" - José de Alencar
http://www3.universia.com.br/conteudo/livros/til.pdf
"Memórias de um sargento de milícias" - Manuel Antônio de Almeida
http://www.fosjc.unesp.br/extensao/prevest/paraibuna/HUMANAS_files/Memo%CC%81rias%20de%20um%20sargento%20de%20mili%CC%81cias,%20de%20Manuel%20Antonio%20de%20Almeida.pdf
"Memórias de um sargento de milícias" em HQ
http://www.ebah.com.br/content/ABAAABihgAI/hq-memorias-sargento-milicias-manuel-antonio-almeida
"Memórias póstumas de Brás Cubas" - Machado de Assis
http://www.fuvest.br/download/livros/brascubas.pdf
"Memórias póstumas de Brás Cubas" em HQ
http://www.slideshare.net/jeronimojaf/hq-memorias-postumas-de-brs-cubas-machado-de-assis-14660812
"A cidade e as serras" - Eça de Queirós
http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bv000081.pdf
"O cortiço" - Aluísio Azevedo
http://objdigital.bn.br/Acervo_Digital/livros_eletronicos/cortico.pdf
"O cortiço" em HQ
http://www.ebah.com.br/content/ABAAABglsAC/hq-cortico-aluisio-azevedo
"Vidas Secas" - Graciliano Ramos
http://www.fosjc.unesp.br/extensao/prevest/paraibuna/HUMANAS_files/vidas_secas.pdf
"Capitães da Areia" - Jorge Amado (trecho)
http://www.companhiadasletras.com.br/trechos/80129.pdf
"Sentimento do mundo" - Carlos Drummond de Andrade (trecho)
http://www.companhiadasletras.com.br/trechos/13273.pdf
Toda a contribuição com links de filmes e análises que possam servir aos colegas serão bem-vindas, coloquem-nas nos comentários e boa leitura!
2013 é o ano de vocês!!!
Professor Valmir Luis
terça-feira, 18 de dezembro de 2012
Resenha: A PELE QUE HABITO
O presente trabalho obteve nota máxima na disciplina "Cinema e literatura", ministrada pela professora Scheila Pellegri na UNESP - FCLAr. Ele consiste numa resenha do filme “A pele que habito” (2011), dirigido por Pedro
Almodóvar, a partir dos elementos de horror que fazem parte das opções de
construção estética do diretor .
O
horror como construção estética
Se o horror, como
conseguimos depreender da análise de Das Unheimliche,
do arqui-famoso psicanalista Sigmund Freud, está relacionado com o rompimento
das expectativas de qualquer ação por meio de circunstâncias tais como o “medo
da castração”, a “onipotência do pensamento” e o “duplo”, podemos afirmar que a
narrativa fílmica La piel que habito (2011)
– “A pele que habito” – realizada por Pedro Almodóvar é sutil, bem lavrada, mas
é horror.
O
longa-metragem estrategicamente não linear nos conta, em três atos, a história
de Robert Ledgard – representado por Antonio Banderas. Num primeiro momento o
que se vê é Robert realizando experimentos, no melhor estilo ficção(?)
científica. Para análise um pouco mais aprofundada, vejamos o que nos diz De
Sá, em seu artigo “Horror e Epifania” (2011),
Greimas,
em seu Da Imperfeição, chama a atenção para um recurso utilizado na construção
do sentido em que é a descontinuidade no discurso, a ruptura na vida
representada, o detonador da passagem para um novo estado de coisas. Tal
descontinuidade, fruto do que se pode chamar um deslumbramento, provoca uma
fratura.
A partir disso, podemos afirmar que a
delicadeza com que são mostrados os atos científicos pouco ortodoxos do Dr.
Robert, a relação dele com Vera – o “experimento” –, que permanece trancada numa “cela”, a
obsessão em encontrar uma pele extremamente resistente para ela, só podem ser
compreendidos nas cenas seguintes e em flashbacks
que vão sendo colocados no interior da narrativa. É a descontinuidade,
portanto, que envolve o espectador e que faz com que ele, no decorrer do tempo,
sinta o horror e o sentimento catártico às avessas de habitar a pele de outro.
Os
atos seguintes, portanto, fazem com que o espectador junte as peças
descontínuas propostas pelo filme. Os transtornos psicológicos das personagens
são apresentados de maneira tensa. Há seis anos, a esposa do cirurgião plástico
Robert Lodegard teve o corpo completamente queimado ao envolver-se em um
acidente de carro. Apesar de seus esforços, o médico nada pode fazer para
ajudar na recuperação estética da mulher, que agora vive em completa escuridão
e sem poder ver espelhos. A primeira tragédia é seu suicídio, que é presenciado
por Norma, filha do casal, e que abala a jovem menina fazendo com que ela passe
a viver à base de remédios e afastada da sociedade.
Tempos
depois, a segunda tragédia acontece: Norma, que vivera afastada, vai a uma
festa e, o diretor parece querer que fiquemos em dúvida, é violentada por um
rapaz, que depois se descobrirá que é Vicente, e acaba vindo a óbito. A dúvida,
no caso, é se Norma queria ou não transar com o rapaz. Isto posto, Robert vai
atrás do homem que “enganou” sua filha e, com ganas de vingança, aprisiona-o.
O
espectador sente o terror em forma de mal estar, o doutor barbeia Vicente e a
navalha que ele porta parece querer dizer mais do que podemos compreender
naquele momento, é “medo de sentir dor” que nos invade. Mas a compreensão vem
e, aos poucos, percebe-se que a sanha de Robert o cegara. Em princípio, quer
ele fazer com que Vicente pague pela tragédia que ele causara e, valendo-se de
sua posição de cirurgião plástico, faz nele uma vaginoplastia. O horror aqui se
encontra com o “medo da castração”, descrito por Freud.
Com o poder nas mãos, o
doutor parece querer fazer com que Vicente pague por todas as tragédias e,
nele, inicia os trabalhos de pesquisa, a fim de criar a pele mais resistente
possível. Inundado de culpa pela incapacidade de ajudar a mulher a livrar-se
daquela aparência de monstro que tivera antes do suicídio, resolve ele castigar
sua cobaia com tais experimentos.
O horror não nos é
colocado de chofre, ele é lançado calmamente. As peles que são postas e
sobrepostas na cobaia Vicente transformam-no em Vera e o espectador compreende
que o doutor resolvera recriar uma imagem idealizada da mulher no suposto
estuprador, talvez para sentir-se menos culpado. A descoberta do absurdo da
situação, da androginia transexualidade choca menos do que a crescente paixão
que o criador sente por sua criatura.
O estarrecimento não
sai em forma de grito, ele é contido, calmo e segue uma lógica que perturba:
Vicente entra em contato com o seu par de oposição e, agora, é obrigado a
assumir-se como Vera; Robert recria seu objeto de amor e, agora, vive as
antíteses de amor e ódio; e o espectador vive a angústia de sentimentos dos
dois e sente-se inundado de inquietações e de perguntas do tipo “seria isso
possível?”, desconfiando sempre da idoneidade do homem.
A prática sexual de
Robert e Vera é bela, porém deixa o espectador nauseado por compreender do que
são feitas essas personagens, é esse o estranhamento
familiar freudiano que escapa das telas e nos invade. De fato, aquela
comunhão parece deixar claro que, apesar dos disparates da situação, os
“duplos” irão integrar-se, entretanto, a fratura
no cotidiano faz com que Vicente/Vera volte-se contra seu criador e num ato
de decisão absoluta e de liberdade, atira no cirurgião. O incômodo que se sente
ao decorrer do filme, ao invés do que se poderia imaginar, não se encerra ali.
Ao final, Vera foge após ter matado Robert, volta para casa e vai ter de
explicar para a mãe como aquela linda mulher pode ser o rapaz que há tempos
desaparecera.
Ao
espectador resta o incômodo permanente do duplo, da ruptura, da
intencionalidade e da força das paixões no ser humano. O filme permanece, mas
nunca como uma boa lembrança.
REFERÊNCIAS
SÁ,
Sheila Pelegri de. Horror e epifania. A
imperfeição reveladora em Anticristo e
Cisne negro. in: XII Congresso
Internacional da ABRALIC. 2011.
Obra
fílmica
A pele que habito.
Título original “La piel que habito” (2011). Espanha. Dir. Pedro Almodóvar
quarta-feira, 12 de dezembro de 2012
RECEITA PARA APIMENTAR SUA RELAÇÃO
RECEITA
PARA APIMENTAR SUA RELAÇÃO
Deixe estar
Não pareça preocupado nem desleixado demais
Vá pegando devagarzinho-devagarzinho
Mas esteja confiante em seu potencial
Pegue-a pelas mãos
Depois, vá preparando o terreno
Libere uma das mãos e faça
movimentos circulares
Alternando força e
leveza até beatificar o que está ao redor de vocês
Eleve sua cabeça para
fitá-la de frente
Com a outra mão force-a
a fazer o mesmo com você
Esteja confiante em seu
potencial
Olhe-a nos olhos
De-mo-ra-da-men-te
Comece a apalpá-la
Veja se ela gosta
Escute atentamente os
gemidos
Mas escute mais ainda
os gemidos que vão sendo abafados
Ouse mais
Fale indecências aos
ouvidos dela
Veja se ela gosta
Deixe agora que ela
fale nos seus ouvidos
Ceda espaço
Vá fazendo com que ela
se solte
Isso, isso mesmo
Olhe nos olhos dela, já
mudaram de cor?
Sinta o cheiro dela
Deixe-a sentir o seu
Comece a sorvê-la aos
poucos
Agora, violentamente
Inunde-se! Inunde-se!
Feche os olhos e comece
a unir-se a ela
Emaranhe-se até perder
o que era corpo
Penetre
Primeiro suave
Depois com gana
Com força
Comungue de tudo que venha
dela
Esteja atento aos
detalhes mais sórdidos, mais picantes
Seja forte
Mantenha-se rijo
Dê a ela tudo de si
Até
que uma explosão invada a ambos
E
o gozo supremo faça de vocês um só, uma só alma
Você
e a Poesia
Valmir Luis Saldanha
domingo, 21 de outubro de 2012
LISTA DE EXERCÍCIOS_ Capitães da Areia
PROF. VALMIR LUIS –
LISTA DE EXERCÍCIOS - Com gabarito
CAPITÃES
DA AREIA – Jorge Amado
1.
Em que sentido a figuração do ambiente de Salvador, em que se opõe a cidade
alta à cidade baixa, contribui para a figuração da temática de Capitães
da Areia?
Capitães da Areia é uma obra neorrealista (modernismo de 1930), inscrita numa forte ideologia comunista. Sendo assim, a divisão de classes, bem como a caracterização maniqueísta daí derivada, são fundamentais na observação do mundo dos que excluem (cidade alta) e do mundo dos excluídos (cidade baixa).
Capitães da Areia é uma obra neorrealista (modernismo de 1930), inscrita numa forte ideologia comunista. Sendo assim, a divisão de classes, bem como a caracterização maniqueísta daí derivada, são fundamentais na observação do mundo dos que excluem (cidade alta) e do mundo dos excluídos (cidade baixa).
2.
O Padre José Pedro chegou a ser repreendido pelo cônego, durante sua atividade
paroquial. Explique o motivo dessa repreensão.
A repreensão é consequência da vontade humanitária do Padre José Pedro, imbuído do sentimento cristão de auxiliar aos meninos necessitados. O cônego, por sua vez, representa a corrupção dos valores morais da Igreja e faz vistas grossas aos problemas sociais, preocupando-se apenas dos ricos.
3. Compare as personagens Pedro Bala e João de Adão no começo e no fim do romance.
João de Adão, um líder operário, é a personagem responsável por contar a Pedro Bala a história do pai deste, o Loiro. Ao conhecer as motivações do pai na busca de justiça social e compreender os motivos de ele ter sido assassinado, Pedro dá para si a mesma incumbência, mas diferentemente dos métodos praticados por Adão, Pedro busca um auxílio mais amplo, inclusive com a retaguarda do estudante Alberto, ingressando na luta política.
4.
Que diferenças marcantes se poderia estabelecer entre as personagens Volta-Seca
e Pirulito?
Enquanto Pirulito é um menino que, aos poucos, descobre a religião e que pratica apenas os roubos necessários à sobrevivência. Volta-Seca, que se dizia afilhado de Lampião, torna-se cangaceiro ao sair do bando.O primeiro é movido por um sentimento de sobrevivência que desemboca na religião, o segundo, pela dor e pela vingança, reorganiza-se em violentos assassinatos.
5. A imagem da personagem Dora transfigura-se durante sua participação no enredo. Apresente essa transfiguração, desde sua vida no morro até sua morte.
Dora sofre de todas as formas, no romance. Seus pais morreram, vítimas da varíola, quando tinha apenas 13 anos. É encontrada com seu irmão mais novo, Zé Fuinha, pelo Professor e por João Grande. Ao chegar ao trapiche abandonado, onde os garotos dormem, Dora quase é violentada, mas, tendo sido protegida por João Grande, o grupo a aceita, primeiro como a mãe de que todos careciam, depois como a valente mulher de Pedro Bala. Morre devido a uma forte febre, e se torna uma santa para os meninos, por causa da sua bondade. Para Pedro Bala, ela se tornara uma estrela.
Trecho: Em torno é a paz da noite. Nos olhos mortos de Dora, olho de mães, de irmã, de noiva e de esposa, há uma grande paz. Alguns meninos choram. Volta Seca e João Grande vão levar o corpo. Mas, parado ante ele, está Pedro Bala, imóvel. Volta Seca não pode estender as mãos. João Grande chora como uma mulher. [...] (p. 212)
Trecho: Em torno é a paz da noite. Nos olhos mortos de Dora, olho de mães, de irmã, de noiva e de esposa, há uma grande paz. Alguns meninos choram. Volta Seca e João Grande vão levar o corpo. Mas, parado ante ele, está Pedro Bala, imóvel. Volta Seca não pode estender as mãos. João Grande chora como uma mulher. [...] (p. 212)
6. Que diferenças podemos observar entre os destinos escolhidos pelo Gato e pelo Professor, tomando como ponto de partida o que eram no início da narrativa?
Gato – É o galã dos Capitães da Areia. Bem-vestido, domina a arte da jogatina, trapaceando, com seu baralho marcado, todos os que se aventuram numa partida contra ele. Além dos furtos e do jogo, Gato consegue dinheiro como cafetão de uma prostituta chamada Dalva, e, por isso, muitas vezes não dorme no trapiche. Só aparece ao amanhecer, quando sai com os outros para as aventuras do dia.
Professor (João José) – Intelectual do grupo, deu início às leituras depois de um assalto em que roubara alguns livros. Além de entreter os garotos, narrando as aventuras que lê, o Professor ajuda decisivamente Pedro Bala, aconselhando-o no planejamento dos assaltos. Com seu dom de pintar, acaba indo ao Rio de Janeiro tentar sucesso.
Professor (João José) – Intelectual do grupo, deu início às leituras depois de um assalto em que roubara alguns livros. Além de entreter os garotos, narrando as aventuras que lê, o Professor ajuda decisivamente Pedro Bala, aconselhando-o no planejamento dos assaltos. Com seu dom de pintar, acaba indo ao Rio de Janeiro tentar sucesso.
7. Alfredo Bosi diz que Capitães da Areia, tal qual outras narrativas de Jorge Amado, é uma narrativa de tensão mínima, ou seja, a progressão das personagens no tempo não causa nenhuma surpresa em relação às suas origens. Aponte o percurso de algum dos protagonistas do enredo que possa justificar plenamente tal inclinação da obra. Explique.
Sem-Pernas – Deficiente físico, possui uma perna coxa. Preso e humilhado por policiais bêbados, que o obrigaram a correr em volta de uma mesa na delegacia até cair extenuado, Sem-Pernas conserva as marcas psicológicas desse episódio. Isso provocou nele um ódio irrefreável contra tudo e todos, incluindo os próprios integrantes do bando. Morre ao se jogar de um penhasco, a fim de não se entregar à polícia.
Pirulito – Garoto magro e muito alto, com olhos encovados e fundos, era o mais cruel do bando, até que, tocado pelos ensinamentos do padre José Pedro, converte-se à religião. Executa, com os demais, os roubos necessários à sobrevivência, sem jamais deixar de praticar a oração e sua fé em Deus.
Boa-Vida – O apelido traduz seu caráter indolente e sossegado. É mais um malandro da cidade, que faz sambas e canta pelas ruas, nas calçadas e nos bares. Contenta-se com pequenos furtos, o suficiente para contribuir para o bem-estar do grupo, e com algumas mulheres que não interessam mais ao Gato.
João Grande – É um negro respeitado pelo grupo em virtude de sua coragem e da grande estatura. Com 13 anos, possui cabelo crespo e baixo e músculos rígidos. Por ser uma pessoa muito boa e forte, ajuda e protege os novatos do bando contra atos tiranos praticados pelos mais velhos.
Volta Seca – Mulato sertanejo de alpargatas, é imitador de pássaros e tem ódio das autoridades. Admirador do cangaceiro Lampião, a quem chama de padrinho, Volta Seca sonha com o dia em que participará de seu bando.
Padre José Pedro – padre de origem humilde, só conseguiu entrar para o seminário por ter sido apadrinhado pelo dono do estabelecimento onde era operário. Discriminado por não possuir a cultura nem a erudição dos colegas, demonstra uma crença religiosa sincera. Por isso, assume a missão de levar conforto espiritual às crianças abandonadas da cidade, das quais os Capitães da Areia são o grande expoente.
Loiro – Pai de Pedro Bala, era líder sindical nas greves antigas ao lado de João de Adão. Morreu em uma dessas greves.
8.
Leia o texto abaixo e responda a pergunta a seguir:
Pedro Bala sorriu, porque sabia que o Sem-Pernas,
quando queria, se fazia passar pelo melhor menino do mundo. A empregada continuou:
— É um pouco mais moço que você, mas é mesmo um
menino. Não é assim um perdido como você, que até já dorme com mulher... — e ria
para Pedro Bala.
— Foi tu que tirou meu cabaço...
— Não diga coisa feia. Demais é mesmo mentira.
— Juro.
Há
no trecho ao menos um recurso de estilo marcante da narrativa Capitães da
Areia e do estilo do autor. Aponte-o e explique.
Tanto a preocupação com o falar coloquial quanto a representação o mais fiel possível da realidade retratada são algumas das marcas do estilo de Jorge Amado.
9.
Leia o texto abaixo e responda as perguntas a seguir :
Quantas horas? Quantos dias? A escuridão é sempre a
mesma, a sede é sempre igual. Já lhe trouxeram água e feijão três vezes. Aprendeu
a não beber caldo de feijão, que aumenta a sede. Agora está muito mais fraco,
um desânimo no corpo todo. O barril onde defeca exala um cheiro horrível. Não
retiraram ainda. E sua barriga dói, sofre horrores para defecar. É como se as
tripas fossem sair. As pernas não o ajudam. O que o mantém em pé é o ódio que
enche seu coração.
No
trecho podemos observar dois recursos importantes na construção do estilo
narrativo de Capitães da Areia: a onisciência do narrador e o
naturalismo.
a)
Explique como se dá tal onisciência no trecho.
O narrador invade a experiência de solidão de Pedro Bala e a descreve como se pudesse sentir o mesmo que a personagem sente.
O narrador invade a experiência de solidão de Pedro Bala e a descreve como se pudesse sentir o mesmo que a personagem sente.
b)
Explique como se dá o naturalismo no trecho.
O rebaixamento da personagem à condição animalesca (zoomorfismo), quase destituída de racionalidade, ficando apenas no plano dos instintos, é um dos aspectos naturalista da obra. Isso pode ser percebido através da ênfase aos aspectos sensoriais oriundos da descrição da dificuldade que Pedro Bala tem em defecar.
10.
Entre os Capitães da Areia vivia apenas uma mulher: Dora, personagem que:
a)
teve um papel importante, encarnando, em momentos diversos, a figura de mãe,
irmã e esposa.
b)
representa a força feminina, nas obras de Jorge Amado, a partir da questão da
prostituição e da marginalização social.
c)
provocou uma série de problemas entre o grupo, que perduraram até a sua morte,
por causa da varíola.
d)
trouxe alívio apenas para os pequenos que faziam parte do grupo, porque, enquanto os
outros saíam para os roubos, ela se responsabilizava pelos que ficavam.
e)
tentava conseguir emprego como empregada doméstica, mas não conseguia, porque
tinha contraído varíola, epidemia que havia assolado a cidade, provocando
óbitos e medo.
A
11. Leia o trecho abaixo e responda a questão a seguir.
Porque naquelas casas, se o acolhiam, se lhe davam
comida e dormida, era como cumprindo uma obrigação fastidiosa. Os donos da casa
evitavam se aproximar dele, e o deixavam na sua sujeira, nunca tinham uma palavra
boa para ele. (...)
Mas desta vez estava sendo diferente. Desta vez não
o deixaram na cozinha com seus molambos, não o puseram a dormir no quintal. Deram-lhe
roupa, um quarto, comida na sala de jantar. (...)
Então os lábios de Sem-Pernas se descerraram e ele
soluçou, chorou muito encostado ao peito de sua mãe. E enquanto a abraçava e se
deixava beijar, soluçava porque a ia abandonar e, mais que isso, a ia roubar. E
ela talvez nunca soubesse que o Sem-Pernas sentia que ia roubar a si próprio também.
Jorge Amado. Capitães da
Areia.
Analise
as afirmações abaixo:
I.
A decisão de Sem-Pernas de retornar ao bando lhe parece a mais acertada e é a
que lhe traz mais alegria.
II.
Sem-Pernas vive neste momento um conflito interno entre a lealdade ao bando que
o acolheu e o amor da família que o aceitara como filho.
III.
Apesar do amor dedicado pela família a Sem-Pernas, o menino percebe que, na
verdade, esse acolhimento possui outra intenção.
São
corretas apenas as afirmações:
a)
II.
b)
II e III
c)
I, II e III
d)
I e II.
e)
III.
A
12.
Analise as afirmações sobre Capitães da Areia e identifique as corretas:
I.
Pirulito, convertido à religião, executou, com os demais, os roubos necessários
à sobrevivência, sem jamais deixar de praticar a oração e sua fé em Deus.
II.
Professor, o intelectual do grupo, deu início às leituras depois de um assalto
em que roubara alguns livros, e conseguiu viver um romance inocente com Dora.
III.
Dora e o irmão encontram os meninos do grupo Capitães de Areia após a morte de
seus pais, por conta da varíola, e passaram a morar no trapiche com eles.
IV.
Padre José Pedro tinha como objetivo fazer com que os meninos abandonados
fossem, aos poucos, sendo adotados pelas inúmeras beatas que frequentavam sua
igreja.
V.
O enorme ódio que Sem-Pernas possuía de todos era resultado dos maus tratos que
ele sofria nas casas nas quais ele se infiltrava antes de o grupo cometer o
roubo.
a)
I, III e V
b)
I, II e IV
c)
II e III
d)
I e III
e)
IV e V
D
Leia os trechos a seguir e responda à questão 13:
O Sem-Pernas convidou a todos
para irem ver o carrossel na outra noite, quando o acabariam de armar. E saiu
para encontrar Nhozinho-França. Naquele momento todos os pequenos corações que
pulsavam no trapiche invejaram a suprema felicidade do Sem-Pernas, até mesmo
Pirulito, que tinha quadros de santos na sua parede, até mesmo João Grande, que
nessa noite iria com o Querido-de-Deus ao candomblé de Procópio, no Matatu, até
mesmo o Professor, que lia livros, e quem sabe se também Pedro Bala, que nunca
tivera inveja de nenhum porque era o chefe de todos? (...)
No começo da noite caiu uma carga
d'água. Também as nuvens pretas logo depois desapareceram do céu e as estrelas
brilharam, brilhou também a lua cheia. Pela madrugada os Capitães da Areia
vieram. O Sem-Pernas botou o motor para trabalhar. E eles esqueceram que não eram
iguais às demais crianças, esqueceram que não tinham lar, nem pai, nem mãe, que
viviam de furto como homens, que eram temidos na cidade como ladrões.
Esqueceram as palavras da velha de lorgnon*. Esqueceram tudo e foram
iguais a todas as crianças, cavalgando os ginetes do carrossel, girando com as
luzes. As estrelas brilhavam, rilhava a lua cheia. Mas, mais que tudo,
brilhavam na noite da Bahia as luzes azuis, verdes, amarelas, roxas, vermelhas,
do Grande Carrossel
Japonês.
Jorge A mado. Capitães
da Areia.
* Lorgnon (francês) tipo de óculos, sem
hastes, montado numa armação com um cabo.
13. Baseando-se nesses trechos,
retirados do capítulo “As luzes do carrossel”, pode-se afirmar que:
a) é um momento marcante para os meninos
que voltam a ser crianças quando andam no carrossel graças ao dinheiro que o
Padre José Pedro havia retirado da doação para a compra de velas.
b) fica nítida a visão dos Capitães da
Areia como simples crianças, as quais andam no carrossel graças à generosidade da
beata Margarida.
c) configura um momento emocionante na
vida dos Capitães da Areia, mostrando-os como crianças, tal qual acreditava o
padre José Pedro.
d) é um momento em que o grupo de
meninos se parece com um grupo de crianças, apesar de terem conseguido andar no
brinquedo graças às ameaças feitas ao dono, Nhozinho França.
e) Sem-Pernas e Volta Seca, os mais
revoltados do bando, são justamente os que se mostram mais felizes com a
brincadeira pueril, proporcionada pelo padre, amigo deles.
C
C
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